domingo, 10 de fevereiro de 2008

Arquivos não muito secretos

Os meus arquivos pessoais ficavam zelosamente escondidos debaixo do meu colchão.

Desde que comecei a criar estórias, aos dez anos, eu usava esse artifício para evitar fossem eles lidos por alguém que não a autora daqueles escritos. Não queria que ninguém tivesse acesso aos mesmos sem a minha devida permissão.

Os meus motivos: Eu tinha vergonha de mostrar aquelas baboseiras até mesmo à minha família. Receava partilhar um segredo talvez sem razão de ser.

Como sabia não ser possível driblar por muito tempo a vigilância de Dona Jacyra, a minha zelosa progenitora, antes mesmo que se fizessem necessárias as indefectíveis faxinas, eu aproveitava as horas em que ela ia lavar roupa no Rio Santa Maria, ajudada por minha irmã Zilnete, dois anos mais velha do que eu e tratava de examinar aquela papelada toda. A maior parte ia bem rasgada para o lixo, rejeitada pelo meu implacável senso crítico. Os poucos papéis que sobravam eu tratava de esconder bem disfarçados na prateleira na qual guardava meus objetos escolares.

Só descobri que valia a pena continuar escrevendo e que já não precisava ocultar meu precioso arquivo quando Dona Altamira Silveira de Moraes, a minha professora do 4º ano do Grupo Escolar Aristides Freire valorizou minhas dissertações de fatos históricos e de conhecimentos geográficos assim como as chamadas composições de minha autoria, criações que me proporcionaram boas notas em Língua Portuguesa. Que alegria para a raquítica e cabeçuda aluna que era eu!

Quanto à Matemática, nem me atrevo a comentar. Aprendi mesmo pro gasto, pra passar de ano e nada mais.

Nenhum comentário: