Depois de receber constantes estímulos não só da família como de professores, colegas e muitos outros, eu passei a acreditar no meu talento para as letras.
Então, passei a criar copiosa e entusiasmadamente.
Escrevi muito e com a maior animação.
O Professor Judson Gonçalves de Aguiar permaneceu nas minhas lembranças não só pelas suas qualidades de professor de História, como pelo fato de ter me estimulado de um modo muito especial... e diferente.
Um ano letivo muito apertado pra mim devido à minha velha ojeriza pela Matemática me deixou em sérios apuros. Por isso, eu me vi obrigada a me dedicar mais à detestada matéria pra não ter de enfrentar uma indesejável segunda época (essa era, no meu tempo, a conhecida recuperação dos dias de hoje, só que bem mais puxada naquele tempo).
Resultado: mal li a matéria de História marcada para uma das últimas provas mensais.
Na hora da prova eu não me enervei, pois isso de nada mais me adiantava: limitei-me a responder corretamente alguns quesitos, mas, na hora da dissertação, descobri que mal havia passado os olhos naquele assunto. Mesmo assim, eu fui à luta.
Escrevi o pouco que me lembrava acerca da Tríplice Aliança e procurei encher lingüiça o mais que pude.
O professor, um baixinho empertigado, de óculos de fundo de garrafa, ao me entregar a prova corrigida, olhou pra mim, muito sério, e sentenciou:
-Zélia, você merecia uma nota bem mais baixa, mas eu só lhe conferi a que recebeu, por reconhecer que você é a maior e mais esperta enchedora de linguiça que eu já conheci nesta minha vida de professor.
A classe inteira disparou numa risada uníssona e escandalosa e eu, vermelha até a raiz dos cabelos, morrendo de vergonha, recebi a prova e, só então, mostrei os dentes num sorriso sem graça mas agradecido. A nota era um gorducho e belo 8(oito)!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Suprema ousadia
Postado por
Zelita 10
às
03:38
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário