segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Minha incursão nos meios literários do interior

Meus trabalhos publicados pelo jornal O Colatinense, pelo antigo O Jornal do Rio de Janeiro e por outros periódicos dos quais não me lembro os nomes, foram numerosos e nem mesmo eu sei quantos. Só sei que foram muitas crônicas, contos, reportagens e poesias.

Ah! Essa eu faço questão de confessar de peito aberto. A despeito do meu receio de cair numa posição ridícula, também assumi uma coluna social no início dos anos sessenta.

Mas, espero ser entendida: de jeito algum eu me envergonharia de ser colunista social. Apenas acreditava que não tinha perfil para tanto.

Minha família era modesta e, por isso, eu não freqüentava os ambientes sociais de minha cidade. Mas passei a freqüentar, aos vinte e oito anos de idade.

Depois de recusar muitas vezes o convite que me foi feito por Antonio Carlos Antolini, então Diretor do jornal O Colatinense, eu decidi aceitar. Na tentativa de permanecer no anonimato, eu escolhi a então pomposa sigla JK, devido à timidez que por toda a vida me esforçara por ocultar até de mim mesma. Assumir de peito aberto seria mesmo um atrevimento! Tinha receio das críticas. Mestiça oriunda de raças negra, indígena e branca, preocupava-me o fato de alguma forma agredir a sociedade colatinense cujos habitantes, na sua maioria descendiam de italianos e sírio-libaneses.

Mas foi bom para mim, pois, sem agressão ou ironia, pelo contrário, com muita dignidade, ousei falar deles e do seu motus vivendi. Sim, eu fui JK, ou melhor, na verdade, uma personagem de cognome Julietta Kreoulla, a colunista social mais fora de esquadro que já conheci. A meu ver, ela era tão ridícula que antes mesmo da minha farsa vir totalmente a público, eu mesma abri o jogo, passando a assinar a coluna com meu nome real.

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